ORÇAMENTO FAMILIAR: O GUIA COMPLETO PARA ORGANIZAR SUAS FINANÇAS

Você sabe o que é um orçamento familiar ou um orçamento pessoal? Consegue pensar na importância desse recurso para a sua vida?

Para facilitar o início da reflexão, vou expor um exemplo bem simples, mas muito comum.

Você sai de casa pela manhã com R$ 35,00 na carteira. Ao voltar para o lar, à noite, percebe que só tem R$ 3,00, mas não consegue se lembrar de ter usado todo o dinheiro. Lembra-se apenas do almoço, que custou R$ 15,00, e da sobremesa de R$ 7,00.

Para onde foram os outros R$ 10,00? Transporte: R$ 4,50; misto-quente do café da manhã: R$ 3,50; chocolate: R$ 2,00.

Os gastos menores também fazem diferença, mas é possível saber para onde cada centavo vai, afinal de contas, o dinheiro não desaparece por mágica.

É aí que entra o orçamento.

O orçamento familiar, também chamado de orçamento doméstico ou pessoal (para quem mora sozinho(a)), é um poderoso instrumento de planejamento financeiro.

Planejar significa, entre outras definições, traçar um plano para alcançar determinados objetivos.

Um bom orçamento ajuda a manter as finanças equilibradas, a avaliar a realidade financeira da família e a administrar os imprevistos.

Grande parte da população não sabe como gasta o próprio dinheiro. Você faz parte dessa relação?

Continue a leitura deste artigo para aprender mais sobre:

  • Orçamento familiar ou orçamento pessoal;
  • A importância desse instrumento;
  • Como transformar sonhos em objetivos financeiros;
  • Como elaborar um orçamento;
  • Planilhas e aplicativos disponíveis.

Ao terminar de ler, tenho certeza de que começará a organizar suas finanças.

Vamos começar?

 

O que é orçamento familiar ou orçamento pessoal?

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Quando alguém fala em orçamento, planejamento, organização ou gestão, tudo parece muito complicado e longe da realidade.

No entanto, vou mostrar que fazer e monitorar um orçamento não é um bicho de sete cabeças. E mais: será uma tarefa muito gratificante!

Orçamento familiar nada mais é que uma forma de controlar e acompanhar seus gastos individuais, ou de toda a família, por meio de lançamento das receitas e das despesas diárias.

Muitas vezes o dinheiro some da conta sem nem deixar um recadinho carinhoso, e não é possível comprar determinado produto ou serviço tão desejado sem se endividar, simplesmente por falta de planejamento.

Assim, com o orçamento familiar, é possível observar:

  • O valor total disponível (receitas);
  • Quanto gasta-se por dia e por mês;
  • O peso de cada gasto;
  • O total disponível para gastar em cada modalidade de despesa;
  • Se é possível comprar algo que você tanto quer;
  • Quanto é possível poupar;
  • Onde é preciso apertar ou cortar.

Planejar as finanças pessoais não significa, necessariamente, cortar gastos. Nem sempre é preciso tomar essa medida.

Muitas vezes, basta organizar as despesas, definir objetivos e metas, e seguir o planejamento.

De forma natural, você e sua família passarão a gastar de forma mais consciente, e essa atitude resultará em economia.

Mas você também deve ter pensado: “tudo bem, orçamento funciona para aquilo que é previsto, mas como proceder em relação aos imprevistos?”

Para me ajudar com a resposta, recorrerei ao professor Elisson de Andrade, autor do excelente ebook As 5 etapas do planejamento financeiro:

Planejar é, simplesmente, aceitar as incertezas, de forma a lidar com elas da melhor maneira possível. – Prof. Elisson

Quer dizer que o planejamento não evitará a ocorrência dos imprevistos da vida, mas fornecerá os meios para que os impactos sejam minimizados, principalmente se houver consequências financeiras.

 

Importância do orçamento familiar

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Imagine que você vai viajar pra um determinado local nas férias. O que costuma fazer antes da viagem?

No mínimo, fará uma pesquisa no google para escolher uma boa hospedagem, procurará referências turísticas e de bons restaurantes. Além disso, também deixará reservada uma quantia de dinheiro para gastar, certo?

Isso faz parte do planejamento da viagem.

Se você vê relevância em planejar uma viagem de férias, imagine, então, como é importante planejar as finanças pessoais ou da família!

Você sabia que um dos principais motivos para separação de casais é a instabilidade financeira?

O descontrole de um, ou ambos, a falta de diálogo e de um orçamento familiar podem levar ao fim um relacionamento.

Um bom planejamento permite que sejam feitas melhores escolhas em relação ao dinheiro. Em consequência, adquire-se maior liberdade para sonhar e definir objetivos.

A propósito, como andam seus sonhos?

Você sabe qual é a chave para transformar seu sonho em algo realizável? Sim, é isso mesmo: planejamento!

Sabe por quê? Porque para realizar um sonho você primeiro precisa saber exatamente aonde quer chegar.

 

Como transformar sonhos em objetivos financeiros?

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“Quero ganhar na mega-sena” não é o tipo de sonho a ser analisado, pois não temos controle algum sobre o resultado.

Vamos falar de sonhos possíveis, que podem ser concretizados com disciplina, esforço e dentro da realidade financeira de cada um.

Esse último item é muito importante: você precisa conhecer a sua realidade financeira, pois assim não definirá um objetivo impossível, que causará grande frustração no futuro.

Uma pesquisa feita pelo SPC Brasil apontou que 4 em cada 10 internautas vivem fora do padrão de vida mais adequado a sua realidade financeira.

Antes de prosseguir, preciso que você entenda 3 conceitos: sonhos, objetivos e metas.

Sonho: “Queria tanto comprar uma casa!”

Objetivo financeiro: “Comprarei uma casa de R$300 mil, à vista, em até 8 anos!”

Meta: “Comprarei uma casa de R$300 mil, à vista, com 3 quartos (pelo menos uma suíte),  em até 8 anos, com investimentos mensais de R$ 2 mil, na região metropolitana de BH!”

Ou seja, sonho é o desejo que fica no mundo da imaginação; objetivo financeiro é um ponto futuro a ser atingido, com valor e prazo definidos; metas são etapas intermediárias para realizar um objetivo financeiro, são mais específicas, tanto em relação à maneira como o objetivo será realizado quanto às suas características.

Quanto mais distante for seu objetivo, mais importante será estabelecer metas, ou etapas intermediárias, para que você não perca o foco.

Escreva num local visível os seus objetivos financeiros e as metas, pois assim você internalizará essa realização almejada.

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Passo a passo para elaboração do orçamento familiar

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Existem várias orientações para elaboração de um bom orçamento familiar. Embora o número de passos possa variar, todas cumprem o objetivo.

Gosto das etapas sugeridas pelo curso Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais, da Escola de Administração Fazendária – ESAF:

  1. Planejamento;
  2. Registro;
  3. Agrupamento;
  4. Avaliação.

Vamos conhecer cada uma delas?

 

Etapa #1 – Planejamento

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Já falamos bastante sobre planejamento, mas agora é interessante a percepção prática.

Se você possui cônjuge e filhos, essa é uma ótima oportunidade para uma primeira reunião em família sobre finanças.

O ponto inicial para o planejamento orçamentário é conhecer as receitas e os gastos totais, definir os objetivos e as prioridades.

As receitas são compostas pela soma das rendas individuais de cada membro da família. Utilize sempre o valor líquido.

Não se esqueça de considerar o 13º salário, participação de lucros, abonos de férias, bonificações e outros.

Os gastos totais são a soma de todos as despesas fixas e variáveis.

As despesas fixas são aquelas que têm o mesmo valor todo mês, como aluguel, condomínio, seguro do carro, plano de saúde, colégio, faculdade, etc.

Não se esqueça das despesas sazonais, que podem ser consideradas como fixas, apesar de não se repetirem todo mês, como IPTU e IPVA.

As despesas variáveis são aquelas que ocorrem todos os meses, mas são passíveis de redução do valor: energia, água, telefone fixo ou celular, gás, transporte, supermercado, cuidados pessoais, etc.

Como essa é a etapa de planejamento, o que se pode fazer é uma estimativa quanto às receitas e despesas. Utilize como base os valores dos meses passados.

Após estimar as receitas e as despesas, pense nos sonhos que podem ser transformados em objetivos financeiros, e esses, divididos em metas.

Se alguns deles ainda não cabem no seu bolso, comece a refletir sobre uma forma de viabilizá-los por meio do planejamento.

Citei, anteriormente, o ebook As 5 etapas do planejamento financeiro, que me ajudou a pensar nessa etapa do planejamento de forma muito mais ampla, pois aborda temas que provocam reflexões profundas, como:

  • Definição de riqueza;
  • Importância da educação financeira;
  • A diferença entre o pobre e o rico;
  • Características de um bom objetivo;
  • Hábitos saudáveis;
  • Controle dos desejos e muito mais!

Vale a pena esse aprofundamento para tornar seu orçamento familiar mais efetivo e eficaz.

 

Etapa #2 – Registro

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Passe a anotar absolutamente TUDO, do chiclete ao aluguel.

Você pode fazer isso em caderninho, planilha, aplicativo de celular, e-mail de rascunho do gmail (comecei assim).

Antes de desanimar, saiba que há aplicativos que simplificam, e muito, essa etapa. Saiba mais no próximo tópico, sobre os recursos a utilizar.

Habitue-se a verificar seu extrato bancário e a fatura do cartão de crédito. Guarde recibos de pagamento e notas fiscais.

Diferencie as formas de pagamento para ter maior controle: dinheiro, cartão de débito, cartão de crédito, cheque, fiado.

O mais importante dessa etapa é realmente registrar cada gasto, seja de qual valor for.

 

Etapa #3 – Agrupamento

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O agrupamento das despesas vai facilitar a visualização da parcela da renda utilizada para cada modalidade.

Isso ajudará a planejar melhor, a diminuir ou cortar certas despesas, ou aumentar outras.

Você pode criar as modalidades que quiser, isso depende da forma como pensou no seu orçamento.

Normalmente, utiliza-se dividir as despesas em categorias como: alimentação, habitação, transporte, lazer, saúde, poupança, investimentos, etc.

Se você tiver dívidas, é interessante elencá-las claramente também.

 

Etapa #4 – Avaliação

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Chegou o momento de analisar o orçamento familiar.

Se esse foi o primeiro, não se assuste nem desista. Essa avaliação vai permitir que você conheça sua realidade financeira e tome as providências necessárias para melhorá-la.

Com base nos dados registrados ao longo do mês,  tente responder às seguintes questões:

  • Seu orçamento foi superavitário (sobrou dinheiro), neutro ou deficitário (faltou dinheiro)?
  • É possível reduzir alguns gastos? Quais?
  • É possível cortar despesas supérfluas? Quais?
  • Os objetivos financeiros foram contemplados?
  • As metas foram cumpridas?
  • Há possibilidade de aumentar as receitas? Como?
  • Qual é o peso das dívidas em seu orçamento?

Sobrou dinheiro, mas você possui dívidas? Faça o possível para quitá-las o quanto antes. Comece pelas mais caras, ou seja, as que possuem juros elevados. Veja este artigo especial sobre esse assunto.

Caso tenha sobrado dinheiro e você está com as finanças sob controle, é hora de decidir o que fazer com esse montante. Gastar? Guardar? Investir?

A escolha dependerá de seu planejamento, por isso ele é tão fundamental.

Colocar na caderneta de poupança para constituir um fundo de emergência pode ser uma boa ideia, caso não tenha nenhuma reserva. Pense nisso.

Investir sempre será uma excelente opção. Caso não faça ideia de como começar, leia este artigo.

À medida que as suas finanças ficarem mais conhecidas por você, não deixe para poupar ou investir apenas com o que sobrar.

Você pode determinar um percentual de suas receitas para isso e transferir o dinheiro logo quando recebê-lo.

Pode parecer bobagem, mas essa inversão tem um efeito muito positivo, pois, muitas vezes, dinheiro na conta significa sinal verde para gastar.

E aí sobrará muito pouco para poupar. Guardar o que sobra é pouco efetivo para investir e formar patrimônio.

 

Recursos disponíveis para fazer um orçamento familiar

As opções para elaborar e acompanhar seu orçamento familiar ou pessoal são inúmeras: caderno tradicional, quadro na parede, planilhas eletrônicas, aplicativos de celular…

Não importa a sua escolha. O mais importante é você se disciplinar e seguir as etapas.

Vou falar aqui apenas de duas opções: planilhas e aplicativos de celular.

Planilha BM&FBOVESPA

planilha-orçamento-familiarImagem disponível na planilha da BM&FBOVESPA

A BM&FBOVESPA disponibiliza em seu site uma ótima planilha para controle dos gastos, receitas e investimentos. Clique aqui para baixar.

Várias planilhas disponíveis internet utilizam essa como base. Por isso ficarei apenas com essa indicação, que me pareceu muito boa.

Caso tenha alguma outra boa sugestão, deixe um comentário abaixo!

 

Quanto aos aplicativos, tenho duas sugestões (não excludentes). Utilizo os dois, paralelamente, pois cada um cumpre um objetivo diferente para mim.

 

Mobills

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Logo do app Mobills

O aplicativo Mobills, disponível gratuitamente na Google Play, App Store e Windows Store, é o meu companheiro diário e inseparável.

Ele possui uma interface amigável, vídeos explicativos das suas principais funções e é muito simples de usar.

Você insere suas receitas e registra cada despesa efetuada à medida que elas ocorrem.

É possível visualizar os gastos por gráficos, separados por categorias, que podem ser criadas à vontade.

Ele será o seu “termômetro” em tempo real, caso registre tudo direitinho, é claro.

Algumas funcionalidades só estão disponíveis na versão premium, mas o aplicativo possui um período de teste, durante o qual você poderá experimentar todo seu incrível potencial. [Isso não configura uma recomendação de assinatura do app, ok? Gosto muito da versão completa, mas ainda utilizo a gratuita.]

 

GuiaBolso

guiabolso-orçamento-familiarLogo do app GuiaBolso

O aplicativo GuiaBolso, disponível na Google Play e App Store, possui uma funcionalidade muito interessante: consulta ao extrato bancário, tanto da conta corrente quanto de cartões de crédito.

Isso significa que você não precisa registrar nada manualmente, apenas inserir as categorias de cada despesa ou receita. Lembra-se do que eu disse sobre não desanimar? E ele é totalmente gratuito! 🙂

A princípio, fiquei receosa com essa integração, demorei um pouco a me render, pois é necessário inserir a mesma senha de acesso ao internet banking.

Após algumas pesquisas, percebi que se tratava de uma ferramenta séria e segura. Não é possível fazer qualquer transação bancária.

Ele possui praticamente as mesmas funcionalidades da versão paga do Mobills, mostra a sua saúde financeira e possui um radar de CPF, para consultar gratuitamente e saber suas pendências financeiras (nunca usei).

Esse app lança as transações efetuadas com cartão de crédito nas datas em que ocorrem, não quando serão quitadas.

Isso auxilia no controle do planejamento para o mês, de forma a não extrapolar a meta para cada categoria de despesa. Assim, consegue-se um tempo de reação maior para controlar o orçamento do mês seguinte, caso utilize bastante o cartão de crédito.

Por esse motivo utilizo os dois aplicativos. Com o Mobills, tenho a noção de quanto precisarei despender no mês, mas sem esquecer que as despesas do cartão de crédito descontadas no mês corrente referem-se ao mês anterior. Com o GuiaBolso controlo o dispêndio para o futuro, no entanto, sem esquecer o orçamento do mês presente.

A escolha fica a critério de cada um. O mais importante é não deixar de seguir as etapas para um bom orçamento familiar.

 

>>> Leia o artigo com os 10 melhores aplicativos de controle financeiro para Android. <<<

 

Conclusão

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No prefácio do livro As 5 etapas do planejamento financeiro, do prof. Elisson de Andrade, Gustavo Cerbasi diz o seguinte:

Tenha em mente que muitas das dificuldades que você tem na sua vida são fruto de escolhas ruins. Quem tem dificuldade para conseguir um emprego provavelmente está planejando mal a carreira. Tem dificuldade para realizar sonhos? Planejando mal suas finanças. Dificuldade nos relacionamentos? Planejando mal sua agenda. Excesso de imprevistos? Planejando mal os caminhos alternativos e seguros. Planejar é uma arte que torna nossa vida menos problemática e, portanto, melhor. – Gustavo Cerbasi

Planejar é uma arte. Agora você tem pincel, tinta, tela e conhecimento básico para iniciar sua obra. Não deixe para depois!

Tenho certeza de que percebeu o papel fundamental do orçamento familiar, ou pessoal, em sua vida.

Não é apenas uma questão de ter ou não ter dinheiro, mas sim de segurança, estabilidade e felicidade!

Habitue-se a incluir o planejamento de suas finanças como atividade natural e corriqueira. Não veja como uma obrigação.

Converse sobre dinheiro com sua família. Coloque como prioridade a educação financeira em sua vida.

Para isso, invista em você. Isso será fundamental para fazer escolhas melhores e ter sucesso financeiro.

Adquira conhecimento, estude e incentive sua família a fazer o mesmo.

Deixe um comentário abaixo sobre a sua experiência ou dificuldade em fazer um orçamento familiar.

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Não há um ditado que diz “a vida é feita de escolhas”? Assim, escolha crescer, progredir, ter uma vida mais saudável em todos os aspectos.

 

  • antonio

    Não há como negar que o orçamento doméstico
    ainda é algo muito mal utilizado e, principalmente, pouco compreendido. Obrigado pelo
    ótimo conteúdo Mayara!

    • Obrigada, Antonio!
      A partir do momento que as pessoas ficarem mais conscientes da importância do orçamento familiar, veremos uma considerável melhora nas finanças pessoais, diminuição do endividamento, maior qualidade de vida. São muitos os benefícios!