O QUE SÃO DISTÚRBIOS FINANCEIROS? DESCUBRA SE VOCÊ POSSUI ALGUM E SAIBA O QUE FAZER A RESPEITO

Não é fácil para ninguém admitir seus distúrbios financeiros, apesar deles gerarem efeitos muito nocivos à vida das pessoas, em todos os sentidos.

Estresse, ansiedade, dificuldade para dormir, vergonha, angústia, sofrimento emocional, bloqueios diversos são apenas algumas consequências desse quadro.

Normalmente, quem passa por isso sabe que precisa mudar comportamentos e hábitos, mas não consegue fazê-lo, ou a mudança é fugaz.

Há como sair desse labirinto. No entanto, você precisa identificar e aceitar os distúrbios financeiros que possui e, a partir daí, encontrar as saídas corretas.

Continue a leitura para saber mais a respeito dos distúrbios financeiros e quais caminhos seguir para libertar-se. Você conhecerá:

  • O significado dos distúrbios financeiros;
  • Seus sintomas mais comuns;
  • Os tipos de distúrbios financeiros;
  • Características do bem-estar financeiro;
  • Caminhos a trilhar.

O que são distúrbios financeiros?

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Decisões financeiras ruins, por si sós, não caracterizam um distúrbio. Aliás, todos estão sujeitos a situações assim, seja por uma compra por impulso aqui ou uma aplicação malsucedida acolá.

Klontz e Klontz, no livro A Mente Acima do Dinheiro, definem os distúrbios financeiros como:

Padrões consistentes, previsíveis e frequentemente rígidos de comportamentos autodestrutivos relacionados ao dinheiro, que trazem estresse, ansiedade, sofrimento emocional e incapacidade a áreas importantes da vida.

Ou seja, são aqueles velhos hábitos que apesar de prejudicarem intensamente, continuam firmes e fortes em nossos comportamentos.

Normalmente, quem vivencia algum dos distúrbios financeiros sabe que deve mudar sua conduta, mas simplesmente não consegue!

Eles podem surgir devido ao desequilíbrio familiar, às fragilidades emocionais, às estratégias frustradas de solução de problemas, às experiências da infância (temos certos padrões que sequer conhecemos, muitas vezes!) e também, geralmente, a uma junção desses fatores.

Importante notar que os distúrbios financeiros podem assumir diversas formas e não se excluem mutuamente.

Isso quer dizer que podemos mostrar sinais de mais de um deles, em níveis e momentos diferentes de nossas vidas, e não terão o mesmo aspecto de uma pessoa para outra.

Por isso, é tão importante o exercício constante do autoconhecimento, pois permite perscrutar o nosso interior, desvendar os comportamentos desfavoráveis e seus gatilhos.

Você perceberá que muitos distúrbios apenas serão superados com ajuda profissional. Por isso, não tenha vergonha caso perceba que passa por algo do tipo. Procure auxílio para encontrar a libertação.

Sintomas comuns dos distúrbios financeiros

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No livro citado, os autores elencam uma série de sintomas advindos dos distúrbios financeiros:

  • Ansiedade, preocupação ou desespero em relação à situação financeira;
  • Ausência de reservas financeiras;
  • Endividamento;
  • Desentendimentos sobre dinheiro com familiares e amigos;
  • Incapacidade de manter as mudanças nos comportamentos financeiros;
  • Falência, empréstimos pendentes, ou ambos.

Infelizmente, milhões de pessoas passam por isso. Diversas pesquisas do SPC Brasil evidenciam essa triste realidade:

  • 59 milhões de brasileiros estão com o nome negativado;
  • 46% dos inadimplentes não têm condições de pagar suas dívidas em atraso nos próximos 3 meses;
  • Dois a cada três inadimplentes sentem-se deprimidos, tristes e desanimados;
  • 40% dos inadimplentes sofrem de insônia;
  • Três em cada dez brasileiros não sabem quanto o(a) parceiro(a) ganha;
  • Apenas 38% dos brasileiros se sentem seguros para lidar com dinheiro;
  • 36% dos consumidores fazem compras para aliviar o estresse.

Poderia citar mais dados, mas esses exemplos já mostram como o mau uso do dinheiro afeta a vida das pessoas.

Então, por qual motivo elas insistem em comportamentos nocivos para si mesmas?

Para compreender essa questão, precisamos entender que os comportamentos financeiros, por mais irracionais que pareçam, fazem completo sentido quando descobrimos os preceitos financeiros latentes e seus contextos originais.

Sim, você pode ser vítima dos ensinamentos e exemplos que recebeu durante a infância!

Uma forte característica das pessoas que passam por essas dificuldades é o fato de viverem tropeçando e lutando contra os temas financeiros, mas sem lidar, verdadeiramente, com eles.

E quando é preciso tomar alguma decisão financeira, ela é baseada em preceitos falhos e confusos, o que, fatalmente, resultará em uma escolha equivocada e/ou prejudicial.

Tipos de distúrbios financeiros

No livro A Mente Acima do Dinheiro, são mostrados três grupos de distúrbios financeiros comuns: distúrbios de rejeição ao dinheiro, distúrbios de adoração ao dinheiro e distúrbios financeiros relacionais.

O primeiro grupo é formado por distúrbios nos quais o dinheiro, ou lidar com ele, é sistematicamente evitado.

O segundo, por sua vez, designa os distúrbios nos quais as pessoas são obcecadas com os gastos, em ter dinheiro e bens.

Já o terceiro grupo refere-se aos distúrbios ligados a relacionamentos.

Distúrbios de Rejeição ao Dinheiro

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Esse tipo de distúrbio tem a ver com o fato de se evitar lidar com o dinheiro, ou seja, há comportamentos de fuga e rejeição.

Essas atitudes têm origem na equiparação do dinheiro a emoções negativas e acontecimentos dolorosos. Dessa forma, o inconsciente acredita que dinheiro é algo ruim.

A tendência do ser humano é fugir diante de alguma ameaça. No caso em questão, o dinheiro representa essa ameaça, por estimular o medo e a ansiedade. Assim, torna-se necessário um escape, ou seja, a fuga.

Veja alguns dogmas comuns dos distúrbios de rejeição ao dinheiro:

É errado ter mais dinheiro do que outras pessoas da família.

A maioria dos ricos não merece o dinheiro que tem.

Eu não mereço ter dinheiro.

O dinheiro corrompe as pessoas.

Pessoas boas não deveriam se importar com dinheiro.

Não é bom ter mais do que você precisa.

As pessoas ricas tiram proveito de outras.

O dinheiro é a raiz de todos os males.

Você pode ter amor ou dinheiro, mas não os dois.

Adaptado de "A Mente Acima do Dinheiro".

Embora evitem a fortuna, muitas pessoas têm ressentimentos quanto a sua situação financeira, e acreditam que se tivessem mais dinheiro seriam mais felizes.

Esse paradoxo é um exemplo da dualidade de comportamentos financeiros problemáticos. As aspirações, princípios, condutas e crenças ficam em conflito entre si.

Outro comportamento corriqueiro é culpar autoridades externas, o sistema escolar, a empresa para a qual trabalham ou um governo corrupto pela sua condição financeira.

Há quatro distúrbios que se encaixam nessa categoria: negação financeira, rejeição financeira, contenção exagerada de gastos e aversão excessiva ao risco. Você pode conhecer um pouco mais sobre eles no artigo deste link.

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Distúrbios de Adoração ao Dinheiro

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Agora vamos tratar do outro lado, os distúrbios que dão ao dinheiro uma importância desproporcional.

Todos eles nascem de preceitos que nivelam o dinheiro à segurança, valor próprio e à felicidade. No entanto, é uma compreensão infantil a respeito do dinheiro, como se ele pudesse resolver todos os problemas.

Veja alguns dogmas comuns dos distúrbios de adoração ao dinheiro:

Quanto mais dinheiro mais felicidade.

Nunca terei dinheiro suficiente.

Dinheiro traz dinheiro.

A vida é curta, é preciso aproveitá-la.

Se eu continuar tentando, meu dia chegará.

Tenho que trabalhar muito para garantir que tenha dinheiro.

Meu senso de valor é igual ao meu valor financeiro.

Gastar com alguém é como se demonstra amor.

Adaptado de "A Mente Acima do Dinheiro".

Pelos preceitos acima, é fácil concluir que os distúrbios de adoração ao dinheiro podem criar uma vida de acumulação, trabalho em excesso e uma busca obstinada pelo dinheiro.

Quando esse recurso é visto como a única solução para fazer as coisas melhorarem, a pessoa apenas encobre seus problemas.

Isso ainda pode criar a ilusão de que o dinheiro a salvará em alguma situação complicada, como se fosse um item mágico.

Há seis distúrbios que se encaixam nessa categoria: acumulação compulsiva, correr riscos irracionais, jogo patológico, viciados em trabalho, excesso de gastos e compras compulsivas. Eles também serão mais bem explicados em outro artigo.

Distúrbios Financeiros Relacionais

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Os distúrbios financeiros dessa categoria causam uma verdadeira devastação na vida emocional e financeira de todos os envolvidos, principalmente por envolver relacionamentos e sentimentos.

Ele é utilizado, frequentemente, como instrumento de abuso, inclusive de crianças.

Você perceberá que falar de dinheiro ainda é um grande tabu para muitas pessoas, que escondem de seus próprios familiares o quanto ganham, com que gastam, ou tentam barganhar afeto por meio desse recurso.

Um dano real, consequência desses distúrbios, pode ser percebido em crianças que crescem com a ideia de que não se deve falar sobre dinheiro. Como adultos, o comportamento natural será o sigilo ou, até mesmo, desonestidade sobre o assunto, mesmo em família.

Conheça alguns dogmas comuns dos distúrbios financeiros relacionais:

Você sabe o quanto uma pessoa a ama pelo quanto ela gasta com você.

Gastar com os outros dá sentido a minha vida.

Uma das formas de ter amigos e familiares por perto é lhes dar presentes ou emprestar dinheiro.

Não preciso aprender a lidar com dinheiro.

Sempre haverá alguém a quem procurar se precisar de dinheiro.

É meu dever cuidar dos membros da família menos afortunados.

Cuide de seus filhos agora e eles cuidarão de você mais tarde.

Adaptado de "A Mente Acima do Dinheiro".

Esse último conjunto de distúrbios, possivelmente, afetará muitas pessoas, inclusive você, mas encare os fatos de frente para que o processo de mudança de comportamento comece desde agora.

Há quatro distúrbios nessa categoria: infidelidade financeira, incesto financeiro, facilitação financeira e dependência financeira. Em breve, você saberá tudo sobre eles.

Características do bem-estar financeiro

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Às vezes, pode ser difícil, ou doloroso, internalizar a ideia de ter um distúrbio, seja ele qual for.

A família que convive com situações derivadas dos distúrbios financeiros sente que a vida não pode ser dessa forma, só com preocupações, aborrecimentos, frustrações, ansiedades e medos.

Assim, os membros até se esquecem de como é viver o bem-estar financeiro.

Por isso vou falar disso agora, para que você volte a aspirar dias melhores e tenha a certeza de que é possível sair dessa situação.

Então, o que significa ter uma vida financeiramente saudável?

Consumer Financial Protection Bureau  – CFPB, órgão do governo americano, publicou um relatório, em janeiro de 2015, intitulado  “Financial well-being: The goal of financial education” (Bem-estar financeiro: O objetivo da educação financeira, em tradução livre), em que definiu o bem-estar financeiro como:

In summary, financial well-being can be defined as a state of being wherein a person can fully meet current and ongoing financial obligations, can feel secure in their financial future, and is able to make choices that allow enjoyment of life.

“Em resumo, bem-estar financeiro pode ser definido como um estado no qual a pessoa é capaz de satisfazer plenamente suas obrigações financeiras atuais e em curso, pode sentir-se segura sobre seu futuro financeiro e é capaz de fazer escolhas que permitam aproveitar a vida.” (Tradução livre)

A partir da definição acima, você deve se fazer três perguntas:

– Consigo satisfazer plenamente minhas obrigações financeiras?

– Sinto-me segura(o) sobre meu futuro financeiro (ou da família)?

– Minhas escolhas me permitem aproveitar a vida plenamente?

Mesmo que as respostas lhe decepcionem, sob o ponto de vista financeiro, não quer dizer que você possui algum distúrbio, mas é preciso repensar, sim, seu comportamento em relação ao dinheiro.

Em outras palavras, podemos dizer, também, que os aspectos que fazem parte do bem-estar financeiro são:

  • Ausência de conflitos com a família a respeito de dinheiro;
  • Ter controle sobre as finanças;
  • Saber gastar conscientemente, com planejamento;
  • Ter uma reserva financeira;
  • Manter uma dívida baixa, ou não ter nenhuma;
  • Não sofrer com estresse financeiro;
  • Experimentar altos níveis de satisfação financeira;

Se você ainda não consegue usufruir do bem-estar financeiro, é hora de mudar comportamentos para ter uma vida plena, não acha?

Caminhos possíveis

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Como disse anteriormente, pessoas que possuem distúrbios financeiros, normalmente, não conseguem sair do círculo vicioso sozinhas, precisam de ajuda externa/profissional.

Grupos de apoio, terapia financeira, educação financeira, coaching e aconselhamento financeiro, além, é claro, do apoio familiar, são alguns dos caminhos possíveis para tratar os distúrbios financeiros.

Muitos dos preceitos mencionados continuarão conosco mesmo após uma terapia ou outro tratamento. Entretanto, a grande diferença é que saberemos identificá-los e reconhecê-los pelo que realmente são: meias verdades originadas em nosso passado, e que, provavelmente, não serão úteis no momento atual.

Com isso em mente, ficaremos mais aptos a promover as mudanças de pensamento necessárias.


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