CONHEÇA OS 4 DISTÚRBIOS DE REJEIÇÃO AO DINHEIRO E COMO ELES PODEM AFETAR A SUA VIDA

No artigo anterior, sobre distúrbios financeiros, você viu o que são esses distúrbios, os sintomas mais comuns e os três tipos principais: distúrbios de rejeição ao dinheiro, distúrbios de adoração ao dinheiro e distúrbios relacionais.

Agora, você terá a oportunidade de conhecer os distúrbios que fazem parte da categoria “distúrbios de rejeição ao dinheiro”, analisar se possui algum específico e promover as mudanças necessárias para sua transformação consciente.

Como já foi dito anteriormente, esse tipo de distúrbio tem a ver com o fato de se evitar lidar com o dinheiro, ou seja, há comportamentos de fuga e rejeição.

Se você ainda não leu o artigo citado, recomendo fortemente que o faça antes de continuar.

Sem mais delongas, vamos lá.

– Negação Financeira

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É um forte mecanismo de defesa, pois induz o indivíduo a minimizar suas dificuldades financeiras ou, até mesmo, a evitar pensar nelas, de forma a reduzir a ansiedade e a vergonha em relação aos problemas.

Quem vive a negação financeira não olha extratos bancários, faturas de cartão de crédito, não planeja nem fala sobre dinheiro com a família, enfim, evita pensar sobre o assunto com todas as forças.

Porém, em vez do problema sumir, esse comportamento apenas ajuda a agravá-lo.

Algo comum entre os indivíduos que sofrem desse distúrbio é a tentativa de racionalizar o comportamento para aliviar a tensão.

No entanto, isso apenas mascara a situação, e continuam no ciclo de negar ou evitar os sintomas em vez de curar o problema.

Com o tempo, esse processo torna-se inconsciente e automático.

Crianças que recebem exemplos confusos sobre dinheiro, como gastar demais em certas ocasiões e, em outros momentos, economizar em excesso, podem assumir que dinheiro não tem importância e que é melhor se distanciar dele.

No livro A Mente Acima do Dinheiro, há um exemplo bem interessante que ilustra essa situação:

Havia muito drama a respeito de dinheiro na minha infância e eu estava sempre em conflito sobre qual era a verdade: "o céu está desabando" de minha mãe versus suas compras compulsivas.

Minha resposta a essas coisas era sempre agir como se não estivessem acontecendo, porque eu não tinha meios para lidar com elas.

Eu cuidava da minha vida como se nada estivesse errado. Mas algo estava muito errado e eu sabia disso.

A Mente Acima do Dinheiro

Se você deixa toda a responsabilidade das finanças da família nos ombros do cônjuge, e presta pouca ou nenhuma atenção a esse respeito, pode estar inserido(a) no contexto da negação financeira.

Mesmo que haja um acordo entre as partes, pela facilidade do parceiro(a) nesse sentido, procure se envolver, mesmo que minimamente, pois em uma situação delicada, como separação ou morte, sua ignorância financeira pode causar muitos transtornos e prejuízos.

Dissociação

Essa é a forma extrema da negação financeira, e é muito importante que você saiba disso, seja para ajudar a si mesma(o) ou aqueles que você ama.

A dissociação é aquela reação que “congela” a pessoa, que a faz se distanciar mentalmente de uma situação traumática ou incômoda.

Uma das definições, retirada da Wikipédia, diz o seguinte: “Dissociação é um estado agudo de descompensação mental, no qual certos pensamentos, emoções, sensações e/ou memórias são ocultados, por serem muito chocantes para a mente consciente integrar”.

Ou seja, na prática, uma simples pergunta sobre a situação financeira pessoal, por exemplo, pode desencadear o processo de dissociação, com ocorrência dos famosos “brancos” e a incapacidade de raciocinar minimamente para responder à pergunta.

– Rejeição Financeira

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Você sente, ou já sentiu, que é indigna(o) ou não merecedora(or) de coisas boas da vida, inclusive o dinheiro?

Por mais maluco que isso possa parecer, é um distúrbio surpreendentemente comum!

Mesmo que muitos queiram ter dinheiro, pode ocorrer um sentimento muito grande de culpa por possuí-lo.

Quer um exemplo prático? Veja este do livro já citado:

Meu pai me deixou muito dinheiro e eu não fui rápido o suficiente para me livrar dele.

Durante cinco anos, comprei um carro novo a cada seis meses. Sempre que via o dinheiro em minha conta, sentia raiva. Não era meu.

Era como se meu pai estivesse dizendo: "Você não conseguiu ganhá-lo por conta própria, então eu tive que deixar alguma coisa para você".

Não era meu dinheiro, era dele. Eu não o merecia e não queria tê-lo.

A Mente Acima do Dinheiro

Aqueles casos de pessoas que ganharam milhões na loteria e voltaram à pobreza depois de alguns anos também retratam bem a rejeição financeira.

Em resumo, a rejeição financeira pode manifestar-se de diversas formas: gastos exagerados ou extravagantes, voto de pobreza inconsciente ou evitar aquisição de riqueza.

Esses comportamentos estão cristalizados no preceito de que dinheiro é algo ruim.

A consequência natural é achar que quem tem dinheiro também é ruim.

Isso explica por que essas pessoas não querem acumular riqueza ou desfrutar plenamente da prosperidade financeira.

O distúrbio vem de um desejo inconsciente de permanecer em uma zona financeira de conforto que tem total relação ao ambiente em que o indivíduo cresceu.

O próximo exemplo demonstra muito bem esse fato:

Quando meus pais se divorciaram passamos de um estilo de vida de classe média para um lar "destruído" de classe baixa. (...)

Eu percebia que tínhamos menos do que os outros pela quantidade de lápis, canetas e borrachas que as outras crianças traziam à escola, por quantos pares de calças elas tinham. Nunca tivemos mais que dois pares.

Então, cresci pensando que havia dois tipos de pessoas: nós...e eles. Ser "eles" significava que sua vida era fácil demais.

Cresci ouvindo sobre missionários e o quanto haviam sofrido, e aprendi que somente os bons e fortes poderiam fazer isso. 

Em outras palavras, trabalho duro é igual a ser bom, ter dinheiro é igual a ser ruim.

Eu sabia que era forte e quando adulto, até certo ponto, sempre me senti culpado por ganhar dinheiro, porque na realidade eu deveria ser um missionário.

E, mesmo hoje, minha esposa e eu trabalhamos em profissões assistenciais, e parece haver um estigma negativo em estar interessado em ganhar mais dinheiro do que precisa para viver enquanto estiver ajudando pessoas.

A Mente Acima do Dinheiro

Se a zona de conforto é modificada, isso causa um desconforto muito grande.

Nesse sentido, se não há um esforço consciente para adaptar-se ao novo contexto, é natural que os impulsos antigos determinem as decisões, geralmente, em detrimento das finanças.

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– Contenção Exagerada de Gastos

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Calma, cortar despesas ou economizar não caracterizam distúrbio algum.

Essas são atitudes conscientes para adequar a um certo padrão de vida.

A questão que envolve o distúrbio não é consciente, ou seja, não faz parte de uma escolha.

Normalmente, é baseada em sentimentos subconscientes irracionais de medo ou ansiedade, culpa ou não merecimento, ou, até mesmo, uma necessidade coercitiva de autossacrifício.

Muitas vezes, os indivíduos possuem muitos recursos financeiros, mas mantêm-se emocionalmente pobres ao se recusarem a utilizar ou desfrutar do que têm.

Ou seja, aqueles que gastam de menos são incapazes de utilizar os recursos para melhorar suas próprias vidas ou a de outros.

Imagine uma pessoa que vive de forma miserável, sem cuidados médicos e odontológicos, usa apenas roupas velhas e surradas, em um barraco sem muitas condições, apenas para deixar bens que valem milhões. Esse é um exemplo do distúrbio.

Um questionamento muito comum em quem tem esse distúrbio é o seguinte: “As pessoas gostam de mim pela pessoa que eu sou ou pelo dinheiro que eu tenho?”.

Então, elas gastam de menos para esconder o dinheiro que têm, mas isso faz com que deixem de desfrutar daquilo que gostariam, apenas para não serem tachadas de “exibicionistas”.

Veja um exemplo:

Cresci em uma pequena cidade e tínhamos uma empresa familiar com nosso nome em todos os veículos de entrega em domicílio.

Nunca soube se alguém era meu amigo por gostar de mim de verdade ou se era por causa do meu nome.

Uma de minhas primeiras lembranças é estar com minha mãe em nosso banco quando o caixa lhe disse: "Oh, você deve ser uma ótima pessoa para se processar".

Houve muitos, muitos exemplos como esse, em que as pessoas fizeram comentários sobre o dinheiro da nossa família.

Sua mensagem era, em essência: "Você tem dinheiro. Sua vida deve ser fácil". Na minha perspectiva, não era assim que eu me sentia.

Acho que o conceito que assimilei acerca do dinheiro foi que ele o expõe e que você precisa mantê-lo escondido.

Procuro evitar comprar objetos chamativos. Não compro carros luxuosos, não faço viagens caras, porque, se eu ostentar meu dinheiro, tenho esse sentimento dominante de que me torno um alvo vulnerável e o dinheiro será tomado de mim. 

O que invento a esse respeito é que, caso aconteça, eu não terei alguém, além de mim mesma, para culpar.

A Mente Acima do Dinheiro

Nesse ponto, não precisamos imaginar que gastariam apenas com coisas extravagantes: pode ser que deixem de viajar com a família para curtir as férias; ou não façam reformas na casa, quando necessárias. Tudo isso para não sentirem essa culpa.

Ressalto que não há problema algum em desfrutar do dinheiro que você tem com aquilo que deseja. É seu direito.

– Aversão Excessiva ao Risco

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O último distúrbio de rejeição ao dinheiro retrata a relutância em assumir qualquer risco com o recurso.

Ou seja, quem  sofre desse distúrbio reage com muita ansiedade a qualquer risco, por menor que ele seja.

Não vamos confundir, no entanto, o perfil conservador com quem possui o distúrbio, embora quem o possua, necessariamente, é uma pessoa conservadora.

A diferença é que aplicar o dinheiro de forma conservadora é uma decisão consciente, ou mesmo por desconhecimento, não necessariamente por causa de um medo paralisante ao risco.

O distúrbio faz com que a pessoa tenha o perfil conservador em excesso.

Até mesmo a caderneta de poupança pode ser algo assustador. É preferível não fazer nada a perder alguma coisa.

Veja um exemplo:

Cresci com muitos temores e preocupações a respeito de dinheiro.

Eu estava sempre presente nas discussões entre meus pais, nas quais eles também falavam sobre as dificuldades na empresa, a possível exposição legal, coisas assim. (...)

O que eu trouxe comigo daquela exposição precoce foi uma aguçada consciência dos assuntos legais que cercavam minha empresa.

Tenho propensão a ser muito condescendente, o que é bom, mas também tenho a tendência a ficar no que é seguro e não correr riscos, o que quer dizer que perdi algumas oportunidades.

Acho que também tenho cobrado menos do que merecia, pensando que se eu não cobrar muito eles não podem esperar muito, e eu não me exponho a um risco alto de ser processada.

A Mente Acima do Dinheiro

As crianças internalizam muitos comportamentos dos adultos, o que será refletido, ou sentido, nas fases posteriores.

Quem testemunhou um familiar ou amigo próximo sofrer um grande revés financeiro, devido a um mau investimento ou negócio frustrado, pode se tornar excessivamente avesso ao risco.

Também nesse sentido, muitos filhos de jogadores compulsivos tornam-se avessos ao risco quando adultos.

O que fazer?

Como já foi dito no artigo sobre distúrbios financeiros, as pessoas que passam por isso, normalmente, não conseguem sair do círculo vicioso sozinhas, precisam de ajuda externa e/ou profissional.

Há meios de conseguir auxílio em grupos de apoio, terapia financeira e/ou psicológica, educação financeira, coaching e aconselhamento financeiro, além, é claro, do apoio familiar.

Compreenda que os distúrbios de rejeição ao dinheiro fazem a pessoa evitar o problema, o que torna a conscientização ainda mais difícil sem ajuda externa.

Como você também percebeu, esses distúrbios fazem parte de cristalizações, muitas vezes, advindas ainda da infância.

Tenho certeza de que enquanto você lia este texto lembrou-se de alguém ou se identificou, pessoalmente, com as descrições apresentadas.

Por isso, procure ajuda o mais rápido possível, seja para você ou para alguém próximo que esteja vivenciando algum dos distúrbios de rejeição relatados.


Se essas informações foram úteis para você, compartilhe-a em suas redes sociais. Assim, mais pessoas podem se beneficiar delas!

O próximo artigo sobre distúrbios financeiros tratará sobre os distúrbios de adoração ao dinheiro, por isso, cadastre-se abaixo para não perder as atualizações do blog!

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